DA PSICOLOGIA DO TRABALHO À PSICOLOGIA DA SEGURANÇA DO TRABALHO

Psicologia é a ciência que estuda o comportamento para entendimento da expressão dos sentimentos, emoções, pensamentos e personalidade. É a ciência que tem como objeto de estudo os processos mentais, através do comportamento, em seus diversos processos, para estes fins utiliza os método científico que implica na observação dos fenômenos, definição do problema, apresentação de uma hipótese, experimentação e a conclusão através da apresentação de uma tese, além dos estudos de casos que cujo entendimento exige o emprego de outras ciências que configuram os conhecimentos multidisciplinares.

Na psicologia entendemos como comportamento tudo aquilo que o indivíduo fala, faz, pensa e sente. Assim, os estudos em psicologia abordam o homem como um todo - holístico – onde um simples gesto, um olhar ou uma ação traduzem como se encontra o íntimo do indivíduo, se está em conflito e está com algum problema na expressão das emoções e sentimentos,

Os conhecimentos da psicologia são aplicados em diversas áreas, no caso em questão vamos tratar da relação entre psicologia e o trabalho, ou seja, da psicologia do trabalho com foco no entendimento da influência humana, através do desempenho de comportamentos, que corroboram para a ocorrência de acidentes do trabalho. Estuda profundamente as variáveis que interferem no desempenho de comportamentos de riscos ou inseguros, os grandes “vilões” nos processos para prevenção de acidentes do trabalho. “O problema é trabalhar no piloto automático”, “com excesso de confiança”. Tais variáveis presentes nas investigações das causas dos acidentes do trabalho e disseminadas pelos engenheiros e técnicos da área de segurança do trabalho nos treinamentos, orientações e palestras proferidas em SIPAT.

A questão emergente nos estudos e processos da Segurança do Trabalho é: como fazer com que as pessoas se cuidem no trabalho? A resposta para esta pergunta remete à noção de Comportamento Seguro.

Na Segurança do Trabalho grandes avanços foram realizados no que diz respeito aos aspectos ambientais, tecnológicos, legais e organizacionais e isso fez com que os índices de acidentes fossem reduzidos de forma significativa no Brasil e no mundo. No entanto o número de acidentes no país ainda é muito elevado e isso faz com que os profissionais que atuam de forma pró-ativa ou prevencionistas tratem com maior atenção nos últimos anos para relevância dos fatores humanos que, em razão da sua complexidade, são considerados variáveis relevantes nos estudos para implantação de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho.

A resposta às perguntas: como educar as pessoas? Como comprometê-las com o processo? Como melhorar o controle dos riscos? Como motivar para prevenção? São objetos de estudo da Psicologia do Trabalho na abordagem da influência humana no desenvolvimento dos acidentes do trabalho. Nos estudos da psicologia do trabalho sobre os acidentes do trabalho fora comprovado que os comportamentos, as atitudes e as reações dos indivíduos no ambiente de trabalho não podem ser interpretados de forma eficaz sem considerar a situação total a que os trabalhadores estão expostos; todas as inter-relações o meio, o grupo de trabalho e a própria organização como um todo. Desta forma, o acidente do trabalho também pode ser abordado como conseqüência da qualidade das relações do indivíduo com o meio social que o cerca; com os companheiros de trabalho; e com a organização como um todo.

A Psicologia do Trabalho e os seus estudos referentes à Segurança do Trabalho originaram um novo seguimento que aborda, estritamente, o controle da conduta e os processos para prevenção de acidentes, que denominamos “Psicologia da Segurança do Trabalho” que Meliá (1999) definiu como sendo: “ a parte da psicologia que se ocupa do componente de segurança da conduta humana” é a ciência que vem sendo desenvolvida desde a década de 1970 que abrange um conjunto de técnicas (metodologia de intervenção) que permitem compreender e agir sobre os elementos humanos na prevenção de acidentes do trabalho com profundidade e precisão visando à otimização dos processos e ações para garantia da Segurança do Trabalho.

Desta forma, o estudo dos conhecimentos produzidos pela Psicologia da Segurança do Trabalho são essenciais para os profissionais de área de Segurança do Trabalho para o desenvolvimento de processos que proporcionarão a redução efetiva dos acidentes do trabalho e doenças ocupacionais, que repercutirão de forma incisiva na Qualidade de Vida no Trabalho e, por conseguinte, na auto-realização pessoal e profissional de todos os trabalhadores da organização.

LUIZ CARLOS GOMES DA SILVA
Psicólogo/Consultor de Recursos Humanos

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1 – REVISTA CIPA: Artigo - Comportamento Seguro – Ciência e senso comum na gestão humanos na gestão, saúde e segurança do trabalho, publicado na revista CIPA de novembro de 2005

2 – CHIAVENATO, Ildalberto. GESTÃO DE PESSOAS – 2º Edição, Ed. Campos Elsevier, 2005. Rio de Janeiro.


Norma Regulamentadora 33

Em dezembro último, foi publicada a NR 33 que regulamenta todas as atividades profissionais realizadas em espaços considerados confinados dentro das empresas. Assim, todas as empresas que possuem em suas instalações áreas, que pela definição desta NR se enquadram como espaços confinados, devem providenciar o atendimento as exigências legais, das quais destacamos as principais:

- capacitar através treinamentos as seguintes funções nomeadas na NR como: entrante, vigia e supervisor de entrada;
- implementar a gestão em segurança e saúde do trabalhador em espaços confinados;
- identificar e sinalizar todos espaços confinados;
- antecipar, reconhecer, avaliar os riscos e adotar as respectivas medidas de controle;
- criar o cadastro dos espaços confinados;
- elaborar procedimentos para trabalhos em espaços confinados;
- adaptar o modelo de Permissão de Entrada e Trabalho (PET) às peculiaridades da empresa; e
- implantar sistema de controle para rastreabilidade das PET's.

Quanto aos treinamentos que estão previstos na Norma.

1) Para entrante e vigia:
- carga horária = 16 horas
- público alvo = todos que adentrarão ou atuarão como vigia em trabalhos nos espaços confinados
- reciclagem = anual
- conteúdo programático = definições; reconhecimento, avaliação e controle dos riscos; equipamentos utilizados; utilização da PET e noções de resgate e primeiros socorros.

2) Para supervisor de entrada:
- carga horária = 40 horas
- público alvo = funções designadas pela empresa para atuarem como supervisores de entrada
- reciclagem = anual
- conteúdo programático = o mesmo conteúdo previsto acima, acrescido de: identificação dos espaços confinados; critérios de identificação e uso dos equipamentos; conhecimento sobre práticas seguras em espaços confinados; legislação; programa de proteção respiratória; áreas classificadas e operações de salvamento.

Nós da ABPA estamos capacitados a auxilia-lo no cumprimento desta Norma Regulamentadora, realizando os treinamentos de capacitação acima mencionados, bem como, oferecendo assistência técnica ou consultoria para o desenvolvimento e implementação de qualquer atividade prevista na norma.

Eng.º Júlio Cesar Machado Guimarães


SEGURANÇA NAS ESTRADAS

Conceito de Segurança.

Segurança não é somente a ausência de Acidentes, mas sim a adoção de condições e de comportamentos adequados que evitam situações não desejadas. Existe uma equação que mostra bem esse conceito:

Risco/Controle= Perigo

Onde:

Risco: É a probabilidade de algo indesejável ocorrer.
Controle:
São as medidas que adotamos para que algo indesejável não ocorra.
Perigo:
É a exposição ao risco, ou seja: é a situação real de algo indesejável pode ocorrer.

Dados de acidentes rodoviários ocorridos em estradas federais e estaduais em 2007 – Fonte DENATRAN.

  1. Acidentes de trânsito com vítimas= 21.013
  2. Número de veículos envolvidos= 30.726
  3. Número de vítimas não fatais= 31.636
  4. Número de vítimas fatais= 2.799

Principais fatores que levam aos acidentes com veículos.

  1. Somente fatores humanos= 65%
  2. Fatores humanos e condições de ruas e estradas= 24%
  3. Fatores humanos e condições dos veículos= 4,5%
  4. Fatores humanos e condições das ruas, estradas e dos veículos= 1,25%
  5. Somente condições das ruas e estradas= 2,5%
  6. Somente condições das ruas, estradas e dos veículos= 0,25%
  7. Somente condições dos veículos=2,5% Pelo exposto podemos constatar que o fator humano está presente em 94,75% dos acidentes

Condições que afetam o dirigir:

  1. Condições dos motoristas;
  2. Condições dos veículos;
  3. Condições climáticas;
  4. Condições do tráfego.

1) Condições dos motoristas.

  • Dirigir é uma atividade que requer uma mente clara e bom senso;
  • Nas melhores condições, o ato de dirigir exige uma concentração total;
  • Se você está entrando no seu veículo, seja consciente e pergunte se: Estou em condições de dirigir? Ou estou sob outras influências?
  • Cerca de 50% das mortes em acidentes de trânsito estão relacionadas com álcool e drogas. Porém o álcool e as drogas não são as únicas influências com as quais um motorista deve lidar;
  • Se você está dirigindo por um longo período, pare a cada 2 horas para descansar;
  • Se você está com raiva ou chateado, esfrie a cabeça antes de dirigir;
  • Antes de tomar remédios ou drogas receitadas pelo médico, pergunte quais são os efeitos enquanto dirige;
  • Faça exames médicos periódicos de visão e audição.

2) Condições dos veículos

  • Lembre-se sempre: O Veículo é um instrumento de trabalho que o leva a toda parte com segurança;
  • Esteja consciente das características do veículo que você está dirigindo e “torne-se um motorista seguro”
  • O veículo em boas condições ajuda a evitar acidentes;
  • “Se você cuidar bem do seu veículo, ele cuidará de você”;
  • Fazer manutenções periódicas é garantia de rodar seguro;
  • Observar diariamente os itens de segurança do seu veículo é fundamental para evitar a ocorrência de situações indesejáveis, que podem ser de risco grave e iminente.

3) Condições climáticas

  • As condições climáticas afetam suas habilidades de ver e ser visto.
  • A chuva: torna as pistas escorregadias, provoca derrapagens, reduz sua capacidade de para e virar.
  • Quando a chuva inicia-se, a água desprende o óleo que está na pista, tornando-a perigosa e escorregadia.
  • Muitos motoristas que estão com pressa criam situações perigosas quando do começo da chuva.
  • Fique alerta com os outros motoristas e lembre-se que a velocidade em que você normalmente faz uma curva pode ser muito alta durante a chuva.
  • Caso as condições sejam tais que você precise usar o limpador de pára-brisas para enxergar, você precisará dos faróis para ser visto pelos outros motoristas.
  • Durante a chuva, poderá ocorrer a “aquaplanagem” isto significará que os pneus não estão em contato com a superfície da pista.
    • Principais fatores que contribuem para que a “aquaplanagem” aconteça:
      • 1º Velocidade muito alta;
      • 2º Muita água na pista;
      • 3º Pneus lisos, sem sulcos suficientes para afastar a água entre os pneus e a pista;
      • 4º Óleos e resíduos na pista.

Neblina: A neblina é vapor de água condensado e a água reflete a luz. Quando dirigir sob neblina, lembre-se:

  • Diminua a velocidade;
  • Use os faróis de neblina ou os faróis baixos para melhor visibilidade;
  • Siga a sinalização de pista para melhor orientação

4) Condições do tráfego.

  • Observe as ruas, avenidas ou estradas em obras, elas podem exigir de você manobras repentinas;
  • Atenção redobrada nos horários de rush;
  • Tráfego rápido ou lento:
    • Mantenha-se a direita;
    • Atenção redobrada nas paradas em faróis;
    • Fazer curvas sem abrir demais
    • Não usar banguelas; - Usar a marcha para reduzir a velocidade;
    • Finais de semana, à noite, período mais perigoso para dirigir.

Dirigir a Noite: Quando os faróis do veículo contrário ofuscam sua visão, as pupilas demoram de 4 a 7 segundos para se adaptarem à situação, se você estiver a 80km/h, significa que você percorrerá de 90 a 160 metros completamente cego. Portanto, quando avistar um veículo em sentido contrário com faróis altos: - Diminua a velocidade, aumente a distância em relação ao veículo que está a sua frente; - Pisque os faróis para comunicar-se com o outro motorista; - Olhe para a direita, na linha branca ou margem da pista; - Nunca olhe diretamente para os faróis do outro veículo. Lembre-se: - Dirigir a noite exige o melhor do seu bom senso. - Os acidentes noturnos são de maior gravidade, os diurnos tem maior freqüência, porém menor gravidade.